Escrever é estar vulnerável. Principalmente, quando escrevemos para um amigo, um confidente... Na maior parte das vezes serão coisas triviais, mas há raros momentos em que uma mensagem para um amigo coincide com um momento de reflexão, de expressão de um estado de espírito pertencente a um tempo, uma idade, uma fase... espíritos de uma vida anterior ou duma vida que se repete. E, sem sequer nos apercebermos, colocamos a nossa identidade numa pequena cápsula do tempo e voltamos a aprender a conhecermo-nos a cada leitura. São pessoas dentro de nós, esquecidas ou relembradas, que ficam para sempre gravadas no conforto do sigilo, na vulnerabilidade do 1 a 1, e na honestidade de uma carta.
Esta é uma carta, agora aberta a todos.Uma carta de um dia em que me senti assim e fiz disso palavras para uma amiga. Do dia em que fui confrontada com a pergunta "como quero ser lembrada depois de partir?", partilhada num outro dia em que não sei ainda a resposta. Uma carta igualmente ou ainda mais relevante por me encontrar nas vésperas do meu 20º aniversário e por ter vontade de voltar a escrever-lhe e dizer "Lembras-te disto? Ainda não sei quem sou".

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