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existência


"existence – well, what does it matter?"
Andamos todos por cá e um dia deixaremos de o fazer. Andamos todos, excepto os que já partiram, e o que somos não volta nunca a ser. Tudo o que é de mim um dia vai partir e tudo o que é de ti vai esquecer o que foi meu. E deixa morrer, o que é, é o que tem de ser. Não questiones, não sofras pelo que já foi e que não vai nunca voltar. Não esperes que das cinzas faça carne e osso nem tão pouco que das lágrimas cures o que já passou.
Cá fica a saudade dos que deixaram de ser quem conhecíamos, cá ficam os espectros da existência de alguém que não pode nunca voltar. Cá e nunca noutro sítio. Porque noutro lugar deixarei de lembrar e não serei mais eu mas outra pessoa. Outra pessoa que não poderá nunca amar alguém que não conheceu.
Mas o passado faz agora parte do meu futuro e o presente está fora do meu controlo. Existo da melhor maneira que consigo.
Só um louco espera o retorno das almas mortas, assim como aquele que ao saltar, espera que os seus pés não mais toquem o chão, ou o que espera poder guardar o prazer, esse tão momentâneo, de forma quase palpável. Um susto não dura mais que dois segundos, um piscar de olhos pode não durar o suficiente para que seja notável. Uma folha ao cair, pode ainda esvoaçar enquanto o vento lhe permitir mas o seu destino é certo e é o chão. Tudo acaba por cair, tudo tem um fim. Tudo é breve, tudo é fumo, e é escusado tentar agarrá-lo.
-rip

crash



As discussões são a única coisa que nos mantém próximos.
O único contacto surge destes momentos.
Surge esta necessidade de colidirmos,
mesmo que nos destrua,
na esperança de sentirmos alguma coisa.

Os insultos que voam, os encontrões,
já não são mais que tentativas desesperadas
E já não sabemos se as fazemos por nos sentirmos assim
ou por realmente já não sentirmos nada.

Deixamos o tempo passar
como se conduzidos à noite por uma luz ofuscante,
que embora nos encandeie, caminhamos para ela,
pois esperamos o choque no fim.

E seria no fim que esta distância acabaria,
dando lugar às chamas, ao cortejo em vermelho,
à luz novamente, e à colisão que sabíamos que
nos aproximaria mais uma vez.
Ainda que, a última …

nevermind

Paint your walls. Burn a guitar. Make love. Crash a car. Yell out loud. Write with blood. Act crazy. Trash a room. Be random. Jump off a cliff. Get naked. Smash a piano. Make a scandal. Pick up a flower. Sing in public. Get a tattoo. Cut your hair. Cross the road. Lick a record. Dress in meat. Make a song. Steal a stop sign. Kiss a stranger. Kill a friend. Take a picture. Do whatever. Call it art.

"I feel this society has somewhere lost its sense of what art is. Art is expression. In expression you need 100 percent full freedom, and our freedom to express our art is seriously being fucked with." - Kurt Cobain.

wind, temptation

O teu olhar esfriou e não me aquece como dantes. Os acessos de calor onde nada era claro parecem-me tão distantes e o teu toque não me faz arrepiar. Os teus lábios, mudos, parecem nem mexer. A tentação não me faz contorcer e a sobriedade assusta-me.
No entanto, a tua ausência dói cada vez mais.
Quero percorrer aquelas ruas à noite que me levavam até ti. Naquelas ruas insalubres onde tudo é vulgar e monótono, aquele odor guiava-me, mesmo de olhos fechados. Chegava trazido pelo vento e durante momentos sentia um aperto no estômago e uma angústia atordoante. Doía mas ao mesmo tempo era um antegosto que eu não queria largar e ele fazia-me correr mesmo sem nunca abrir os olhos. Sentia que a qualquer momento poderia desvanecer e com ele iria toda a minha existência e tudo o que ainda me faz continuar a percorrer este sítio.
Um tónico tão subtil que se misturava com os odores da cidade tornando-se quase imperceptível mas por vezes tão inebriante que me fazia reduzir ao nada. À nudez e à pura insignificância de não o possuir.

Quero poder guardá-lo até que me consuma os pensamentos e tudo se torne nublado.
Quero cair nessa embriaguez, mais uma vez...




lie to me

You hesitate. You pause. You talk faster. You get nervous. You panic. You bite your lips. You get angry. You take a deep breath. You giggle. You tear up. Your voice fails. You raise your voice. You tremble. You shrug. You sweat. You scratch. You get restless. You hide. You get a cigarette. You groan. You won’t look me in the eyes. You confess. You feel shame. You blush. You cry. You apologize. I’m not calling you a liar, just don’t lie to me.

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