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wind, temptation

O teu olhar esfriou e não me aquece como dantes. Os acessos de calor onde nada era claro parecem-me tão distantes e o teu toque não me faz arrepiar. Os teus lábios, mudos, parecem nem mexer. A tentação não me faz contorcer e a sobriedade assusta-me.
No entanto, a tua ausência dói cada vez mais.
Quero percorrer aquelas ruas à noite que me levavam até ti. Naquelas ruas insalubres onde tudo é vulgar e monótono, aquele odor guiava-me, mesmo de olhos fechados. Chegava trazido pelo vento e durante momentos sentia um aperto no estômago e uma angústia atordoante. Doía mas ao mesmo tempo era um antegosto que eu não queria largar e ele fazia-me correr mesmo sem nunca abrir os olhos. Sentia que a qualquer momento poderia desvanecer e com ele iria toda a minha existência e tudo o que ainda me faz continuar a percorrer este sítio.
Um tónico tão subtil que se misturava com os odores da cidade tornando-se quase imperceptível mas por vezes tão inebriante que me fazia reduzir ao nada. À nudez e à pura insignificância de não o possuir.

Quero poder guardá-lo até que me consuma os pensamentos e tudo se torne nublado.
Quero cair nessa embriaguez, mais uma vez...




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