Ultimamente, não consigo dormir. A minha mente corre mais rápido do que eu. Tão mais rápido que temo perdê-la para sempre ... A minha mente funciona por associações impossíveis de transcrever para o papel. Passo as noites a sonhar tudo o que a realidade me impediu de sonhar durante o dia. Os sonhos são tantos que não consigo dormir. A minha gata dorme sem saber, alegria dos inconscientes que passam pela vida como quem dorme. Eu vivo como quem sonha, ou sonho que vivo.
Sentir gozo em escrever. Escrever como quem desenha rabiscos numa folha. A escrita como o sexo. Mas, para mim, a escrita tem todas as complicações do amor. Penso em escrever todos os dias e a toda a hora escrevo a pensar, mas a escrita é para mim algo doloroso. Dói-me não saber escrever a vida e dói-me não saber viver a escrita. Dói-me sobretudo não saber viver. Tenho mais prazer em fingir que escrevo letras, em fingir que escrevo ... também, por isso, vivo a vida a fingir. Imito a vida em sonhos ...